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João Gabriel

@joaogabriel_co

Astral Weeks, Asteraceae e madrepérola.

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calendar_today17-03-2011 13:59:20

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As pedras na paisagem da SP-310 quando a gente vai se aproximando de Rio Claro: o chão novo de se ver e um tipo de marco para quem está acostumado com as planuras do interior. São pedras de aspecto metálico, quase rochas cenográficas espalhadas por onde ninguém caminha solitário.

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As planícies onde estão as cidades e as estradas que levam ate lá e atravessam o espaço como se o inventassem com a intuição de que uma paisagem depende demais da luz e da distância, nas planícies.

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Tem ruas pelas quais passam os amantes - nem sempre de mãos dadas - inaugurando ali um aspecto novo: que aquele caminho pode ser o de um passeio romântico, que aquele lugar pode existir assim tão simplesmente para dar passagem aos amantes andando pelas ruas da sua cidade.

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A voz da pessoa amada pelo telefone é a mais doce fantasmagoria, uma que põe em evidência o efeito fantasmático: o aparato mediador perde sua parte do real e só existe enquanto qualidade dessa voz que vem da distância chamando desde um ponto entre esse mundo e a evocação anímica.

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As longas sombras que as pessoas projetam no chão das ruas em aclive, essas sombras de agosto quando toda lua parece mais fantástica, ela mesma projetando sombras nas noites de vento, o vento mesmo uma delas, e não sobra estrela no céu que não queira ter nome, luz e sombra.

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As vestes de um anjo, os tecidos e não sei o que mais, e o que anjos fariam da ideia de vestimenta, de como as gentes os vestem como romanos, gregos, como a imagem luminosa da leveza e da glória. Esses seres que se escondem, mas que devem aparecer num instante vestidos de ideias.

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Os dias derradeiros do inverno já trazem na luz qualquer coisa da próxima estação, cujo início não é dos mais fáceis. No próximo mês, tudo o que se ilumina agora superficialmente começa a se acender por dentro, como ocorre com uma árvore da época: o jacarandá rendilhado de lilás.

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Percorrer os mesmos caminhos que percorri ao lado de quem amo, mas na sua ausência, é como atualizar pelas ruas a distância que a saudade leva pra significar mais que a falta, pra ser essa coisa transbordante que se espalha cidade afora até se confundir com um mapa, o itinerário.

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A cidade em que nasci não é a minha, essa outra onde vivo e que tem jardins de falsa imobilidade; a cidade cujo chão plano faz que sobe apenas pra que se possa dizer que existe um topo, uma altura de onde se vê o quão distante a gente caminhou pra poder dizer qual a cidade natal.

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As velas acesas num oratório dentro da casa. Pode ser uma só vela, mas na casa onde tem um desses, se ela está situada em certa cidade - daquela de que se pode dizer com precisão que fica meio afastada -, dessa casa o bruxulear da chama se espalha como espírito às almas na noite.

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O verde das folhas da romãzeira e o laranja intenso de suas flores, toda uma preparação de cores para a forma peculiar da romã de ser um fruto da cor do sol, dos tons da terra escondida, dos matizes de um poente entre o deserto e o jardim.

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Puseram um obelisco cor de chumbo no meio da avenida. Lá diz que é em homenagem aos espanhóis que vieram para cá de Granada e da Andaluzia, os mesmos que colocaram um busto de Cervantes em frente ao Fórum, que fizeram a Nova Granada e, dizem, falavam palavras como pundonor e sor.

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O que eu queria da saudade era apenas a aura das narrações, mas o que ela me oferece vai além disso, uma coisa difícil de dar nome que peca tanto pelo excesso quanto pela falta.

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E a noção de que não se verá o mar até atravessar muita terra, uma quantidade tamanha de terra que parece impossível existir um fim, se fixa muito cedo em quem vive no interior e sente a distância como um destino, do mesmo modo que o destino é, para essa gente, a imensidão longe.

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O que ocorre entre a pele e o tecido quando há o mais bem acabado caimento ao vestir uma roupa é como uma coerência espiritual, a harmonia da imagem-fantasia com o aparecer. Essa ressonância a gente sente na profundidade da pele, no agir e atuar a que se dá o nome típico de moda.

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Penso às vezes no meu avô que nunca esteve no mar e em como isso talvez lhe parecesse indiferente, essa imensidão de água salgada que não lhe falaria de sua terra, dos pastos e dos limites invisíveis de uma vida interiorana: as horas e o andamento ameno do planalto ocidental.

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Os cajueiros e as romãzeiras são as mais comoventes árvores frutíferas que se podem encontrar pelas calçadas dessa cidade.

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O fogo de Santelmo deve aparecer azul, a fantasmagoria luminosa na ponta de um mastro de navio no meio do oceano, na imensa distância que se abre para a noite pura longe de qualquer terra. Esse fogo confirmará a suspeita do marinheiro, do alquimista: ali está o anjo, o seu olhar!

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Tem um monte de coisas muito bonitas no álbum ao vivo da Kate Bush que registrou os shows de 10 anos atrás, mas acho especialmente bonito que seu filho Bertie (com 16 anos então) cante com ela nas canções do A Sky of Honey.

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As horas que graduam os dias mantêm uma coerência com os tons que aparecem no céu vespertino, com o espírito da estação e, mais secretamente, com o coração amante que se lembra de quem ama e está longe, tal como as horas e as cores têm qualquer coisa de amor e distância entre si.